STONE TEMPLE PILOTS – Stone Temple Pilots, 2010

Seria fácil demais afirmar que o Stone Temple Pilots está aproveitando a tal onda da volta dos anos 90 pra abocanhar uma grana, tentar se reinserir no mercado (!?) ou atualizar uma base de fãs que há muito se interessam por outras sonoridades que não aquela de uma época em que a Internet ainda engatinhava e se cagava toda nas fraldas. Mas seria também uma tremenda falta de atenção não registrar o fato de que Scott Weiland, além de senhor fanfarrão por natureza, é também um trabalhador genuíno. Na primeira fase ativa, o STP praticamente gravava a cada dois anos (insira uma turnê em cada miolo e temos aí bons anos de trabalho pesado – tomadas as devidas proporções do trabalho de ser um rockstar problemático).

A banda acabou em 2003 e, já em 2004, o vocalista encrenqueiro já estava excursionando à frente do Velvet Revolver, que acabou em 2007 com dois discos feitos. No ano seguinte, Weiland estava lançando seu segundo trabalho solo (o primeiro é de 1998), sem deixar de lado os contatos que culminariam na retomada do caminho com os irmãos DeLeo e o baterista Eric Kretz, rodando na praça uma série de shows e, neste 2010 de nosso senhor, o homônimo Stone Temple Pilots. Até aqui, seria fácil demais dizer que o quarteto californiano deixou as diferenças de lado por um punhado de dólares. Estava fácil até que o novo disco foi lançado.

Se alguém tivesse me apresentado as músicas como sendo de uma banda de jovens apreciadores de hard rock, eu teria caído feito patinho. Em vez de regurgitar o estilo que consagrou Weiland e os DeLeo, Stone Temple Pilots vem cercado de uma vibração mais condizente em bandas estreantes e não em um retorno de quarentões. É, em partes, um rock’n roll direto de refrões fortes (às vezes até pegajosos), representados pela trinca inicial “Between the Lines” (festiva e sexy), “Take a Load Off” (mais densa, mas longe da melancolia atracada nos últimos álbuns da banda) e “Huckleberry Crumble” (provável faixa mais legal, com uma interessantíssima conversa de voz e guitarra que culmina num refrão explosivo). As baladas como “Cinnamon” e “Maver” ganharam um tom adolescente beirando o bobinho, tão tão distantes das tensões e angústias de “Creep” ou “Plush”…

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Scott Weiland se utiliza de uma voz clara, quase elegante, enquanto Robert e Dean DeLeo continuam, respectivamente, com as nuances certas de baixo (Robert sabe bem onde acompanhar e onde liberar seus graves) e com riffs sujos e consistentes. A sacada está justamente em perceber o que é STP “clássico” e o que é novidade, como o country garageiro “Hickory Dichotomy” ou ainda a suingada “Samba Nova” pra gringo mexer as cadeiras.

Dois caminhos pareciam mais óbvios. A banda poderia recauchutar seus sucessos em novas versões e perpetuar uma tradição horrível de bandas que vivem das paródias de si mesma. Ou então os quatro poderiam apenas usar o nome conhecido para se adaptar ao som que faz mais dinheiro hoje e, assim, cagar em cima de todo o legado que o STP deixou no final do anos 90. A banda soube vazar ambas as opções e fazer um som com certo frescor, mas mantendo-se Stone Temple Pilots. Agora é ver até quando isso dura, considerando que esse relacionamento entre os integrantes é uma eterna bomba-relógio.

Autor: Jader Pires

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