RPM – Citibank Hall, RJ (04/06/2011)

Para aqueles que acreditavam que nunca mais veriam a banda de rock dos anos 80 que mais vendeu discos no Brasil… Eles voltaram! Depois de se separarem e voltarem “apenas” três vezes em 28 anos de carreira, o RPM retoma aos palcos com a formação original, em sua nova turnê “Elektra”, que provavelmente será também o nome do novo disco.

Logo após anunciarem sua retomada, disponibilizaram 4 músicas inéditas no site oficial, e o restante do cd será dividido em mais duas partes, também totalmente grátis para download. Na verdade, o show de re-estréia foi na Virada Cultural de São Paulo. Mas a turnê começou oficialmente no Credicard Hall, com ingressos lotados.

O show no Rio de Janeiro começou com a inédita “Muito Tudo”, que fala sobre os exageros da nossa nova geração, e emendaram  em “Dois Olhos Verdes”, outra nova também. Paulo Ricardo cumprimentou o público com muito calor e sorriso no rosto. A casa estava novamente lotada e os fãs sabiam as letras novas na ponta da língua.

Depois de um papo curto,  tocaram “Vida Real”, a música de abertura do Reality Show Big Brother, e essa, com certeza esquentou mais ainda a galera, por ser mais conhecida e também mais animada.

Em seguida veio “Louras Geladas” e os seguranças tiveram trabalho na hora de pedir para que a mulherada voltasse aos seus lugares, para não atrapalhar quem queria continuar assistindo os quatro coiotes, quietinho, de sua mesa.

O show deu continuidade com as antigas e também consideras “lado B” pelo próprio vocalista:  “A Fúria Do Sexo Frágil Contra O Dragão Da Maldade”,  “Juvenília”,  “Liberdade/ Guerra Fria”.

Fechando o clima mais político e cheio de atitude que o RPM sempre carregou em suas letras, veio a balada “A Cruz e a Espada”, na versão do disco de estréia Revoluções Por Minuto, diferente do que haviam executado na época da segunda volta da banda, em  2002, quando entrava a voz do Renato Russo em alguns versos.

Homenagens não foram feitas apenas para Renato Russo, mas também para Cazuza, Caetano Veloso e Secos & Molhados quando tocaram “Exagerado”, “London London” e “Flores Astrais”.

Após mostrarem mais uma inédita, a “Ela é Demais Para Mim”,  jogaram pimenta no caldeirão e mandaram a antológica “Revoluções Por Minuto”, que aí sim, fez o Citibank Hall ir ao delírio. Todos se levantaram de suas mesas e correram para frente do palco, pulando e cantando alto, como se voltassem aos anos dourados de sua adolescência, quando o RPM arrancava gritos e mais gritos das meninas, no início da carreira.

Depois disso, só agito! A banda resolveu finalmente tirar da manga os maiores hits, no qual o público não chegava a hora de ouvir: “Alvorada Voraz”, “Rádio Pirata” e “Olhar 43”. Os fãs? Continuaram de pé, na frente do palco, transformando o show do RPM em verdadeiro concerto de rock e enlouquecendo os seguranças que ainda tentavam contornar o “problema”. O show terminou com o encore de “Crepúsculo” e novamente “Dois Olhos Verdes”.

Também vale lembrar a banda de grande produção que o RPM se transformou. O que antigamente eram apenas instrumentos e uma grande bandeira no fundo do palco, agora, é o que posso chamar de “produção gringa”.

Sim, ainda estavam lá os instrumentos e a grande bandeira, com uma caveira estampada. Mas e aquela estrutura de luz que se movimentava para frente e para trás, de acordo com a dinâmica da música? Luzes que passeavam por um trilho, horas iluminando a banda de cima, horas iluminando de trás, dando um lindo efeito de contraste com os músicos.

Também haviam pilastras laterais, parecidas com prédios, que se movimentavam para cima e para baixo, as vezes dando um movimento caótico, como nas grandes cidades. A mesma estrutura de luz que se movimentava por trilhos,  é onde ficavam dois pequenos andaimes, com uma espécie de luzes de camarim, onde Paulo Ricardo e Fernando Deluqui subiram algumas vezes, lembrando alguns shows de cantores pop e dando um toque especial para a performance de palco.

Realmente, o RPM voltou com tudo. Não estão mais preocupados apenas em fazer boas músicas com letras polêmicas, ou agitar o público, principalmente as mulheres, com o charme dos músicos – eternos – “garotões”, mas também prepararam um show com grande qualidade, e muitos desejos ambiciosos pela frente.

Uma banda que nos anos 80 fez uma revolução nos corações de nossos pais, agora, quem sabe, pode fazer uma revolução na nossa geração. Coisas boas parecem vir por ai.

Texto: Amy Burnley
Fotos: Rodrigo Miguez

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