Reação evoca o poder da resistência e da luta do povo negro

Passado e presente são um só tempo para a banda de reggae roots sergipana Reação, que traz a resistência de Palmares para os dias atuais no novo single ‘Negro de União de Palmares’, a primeira amostra do que será o segundo disco da histórica banda, com 20 anos de atividades e perseverança na música.

A luta de antes, eles constatam, ainda é a luta de hoje: o povo negro ainda grita por atenção, respeito e igualdade diante de uma sociedade que se diz sensibilizar com tais questões, mas que ainda não erradicou o preconceito no Brasil. A reflexão, no entanto, é repleta de melodias e manifestos, de amor e de esperança.

‘Negro de União de Palmares’ é o single que chega às plataformas de streaming no dia 19 de novembro, véspera do dia de Zumbi, pelo selo Toca Discos, com distribuição da Altafonte. Ouça aqui.

“A música transcende, fala de Zumbi, mas as pessoas o reconhecem como herói ao mesmo tempo em que o povo negro, em pleno século 21, ainda passa por diversas situações de opressão e discriminação. Seus descendentes continuam aqui, sofrendo, com fome, vítima de injustiças sociais”, reflete Junior Moziah (guitarra e voz).

A sonoridade de ‘Negro de União de Palmares’ evoca o roots da Jamaica dos anos 70, com um groove visceral, bastante peculiar que o Reação consolidou ao longo de duas décadas. Além disso, o single é marcado por uma melodia com grandes intervalos de notas revelando a impressionante extensão vocal de Junior e suas vibrações do axé raiz.

‘Negro da União de Palmares’, assim com as outras nove faixas que compõem o futuro segundo disco da banda sergipana, com uma grande participação especial, foi gravada no Rio de Janeiro, durante uma imersão dos músicos ao longo de uma semana no mítico estúdio Toca do Bandido, junto ao produtor Felipe Rodarte e da diretora artística Constança Scofield.

A histórica banda Reação

Reação completa 21 anos de resistência e atividade musical neste mês de novembro de 2021. Mais do que um conjunto musical, é uma entidade do reggae roots, uma energia que pulsa por união e respeito de todos os povos.

Os caminhos que levaram a Reação à Toca do Bandido junto à Rodarte passam por personalidades de renome na música brasileira, como Marcelo Falcão e Julico (The Baggios), com quem o produtor também trabalha há anos.

“Lá atrás já tinha ouvido falar do Reação, cujo nome foi exaltado aqui na Toca pelo Julico durante a produção do terceiro disco da Baggios, o Brutown. Em 2018, o Falcão também mencionou o Reação, apontando-a como a ‘melhor banda de reggae roots do Brasil’”.

O convite para trazê-los ao Rio de Janeiro foi natural, lembra Rodarte. “Literalmente eles pegaram um ônibus em Aracaju e desembarcaram aqui. Foi um processo de muita energia, tudo gravado em exatos seis dias”.

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Reação é uma banda na ativa desde 20 de novembro de 2000 que emana poder, uma banda que naturalmente – por meio das composições estridentes – clama por ser divulgada e clama por mais reconhecimento na música brasileira. O conjunto sergipano é, mais do que tudo, resistência e luta por uma sociedade mais adepta ao amor e igualdade.

Eles levam às músicas o sofrimento e as múltiplas vivências da comunidade onde vivem hoje, conhecido como Morro da Reação – antes Morro do Cruzeiro – em Aracaju (Sergipe). As letras trazem reflexões sobre a comunidade e buscam tanto representá-las como apresentá-las ao mundo. “As pessoas têm orgulho do que fizemos e o que fazemos na comunidade”, ressalta a banda.

Ali, na periferia de Aracaju, o Reação transformou vidas por meio do reggae – ‘música para transformar o ser humano’, este é o mantra que fortalece a banda, seja na frente social ou cultural. “Serve para lembrar do Deus que habita em nós”, completam.

Tudo começou em um vão de 4 por 4 metros e que com o passar dos anos se tornou um ponto de cultura no morro, um local em que a Reação ensaiava, proliferada a filosofia do reggae e engajar jovens a se envolverem com a música enquanto um guia espiritual e educativo para o futuro.

Dali o Reação ganhou as ruas de Aracaju, agitou shows pela cidade e extrapolou fronteiras – inclusive do Sergipe, sendo hoje uma banda que rodou diversos estados brasileiros. O primeiro disco veio apenas em 2008: Na Força da Fé, com quinze músicas.

Durante estes anos, a Reação provou de encontros cruciais para reafirmar sua missão no reggae, como a conversa com Marcelo Yuka em 2003, em Recife, durante Bienal da UNE, cujo incentivo é sentido até os dias de hoje pela banda. “Ele nos viu tocando e foi impactado, pediu ‘nunca mudem’, é algo que estamos digerindo até hoje”, lembra Junior.

Tiveram também encontros com Falcão em 2009, que mais tarde seria a ponte com Felipe Rodarte (Toca do Bandido) e a inusitada performance de Junior em 2018 com Tony Garrido e toda a Cidade Negra, durante um show da banda em Aracaju. Na ocasião, o vocalista do Reação subiu ao palco em duas oportunidades, muito devido ao carisma da plateia que fez Garrido convocá-lo a subir e cantar juntos. “Alinhado com Jah, tudo flui”, destaca Junior.

A Reação hoje é Junior Moziah (guitarra e voz), André Levi (voz), Ras Lau (baixo), Chico Ras (percussão), Adriano (teclado), Yuri (guitarra), Jil (guitarra), Pedrão (percussão) e Wipsom (bateria).

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FONTE: Tedesco Mídia

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