FEAR FACTORY – Aggression Continuum

Por três décadas, o Fear Factory tem previsto ruidosamente um futuro em que nossas vidas serão tão restritas e controladas que nossa própria humanidade começará a se corroer.

Lembra você de alguma coisa? O décimo álbum deles não é apenas a resolução brutal desse aviso, mas também é uma espécie de final.

Esta banda persistentemente problemática, perseguida por brigas internas e disputas legais, anunciou que este é o canto do cisne do agora ex-vocalista Burton C. Bell.

Sua voz única, variando de uma bile de estourar o peito a uma melodia sombria e onírica, é ouvida em um álbum do Fear Factory pela última vez. Quando apropriadamente intitulado “End of Line”, ele repetidamente grita “Como isso pode ser realidade?”, parece tanto uma despedida quanto um grito de desespero fechado.

O Fear Factory apresentou um grande desempenho no Aggression Continuum. É dinâmico, emocionante, pesado como o inferno e lindamente emotivo, tudo ao mesmo tempo. Há uma fórmula em uso aqui, com certeza, mas é uma que poucas bandas poderiam replicar. Disruptor é a banda em sua face mais rebelde e melodiosa, assim como a abertura de Recode e a requintada Manufactured Hope que equilibra escuridão e luz tão efetivamente quanto qualquer coisa em seu copioso catálogo anterior. A Collapse evolui para um colapso afinado e há até mesmo uma referência ao clássico Demanufacture in Cognitive Dissonance de 1995, antes que o gancho voador de Burton o leve para outro lugar completamente.

Esta encarnação de Fear Factory está se encerrando com um ato final tenso, agressivo e satisfatório. Não há exatamente nenhum sinal deles adotando novas abordagens, mas criticá-los por isso é como criticar o chocolate por continuar a ter um gosto achocolatado. Essa explosão catártica nos deixa com ouvidos zumbindo e grandes sorrisos, além da aceitação um pouco nervosa de que o presságio distópico da Fear Factory pode ter sido bem fundamentado, afinal.

AUTOR: Steve Beebee
FONTE: https://www.kerrang.com/

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