Entrevista com a NOISECRAFT

1. O som de vocês é bem variado com uma levada punk e nuances de peças épicas de longa duração. A idéia em fazer um som assim nasceu e partiu de quem?

Na verdade, isso não foi nada planejado. Nós sempre vimos a Noisecraft como um veículo de expressão de nossas idéias e não como uma banda que deveria ter um estilo bem definido. Isso somado ao fato de todos na banda já terem contribuído com composições levou a essa variedade nas músicas. Mas, ficamos felizes com o fato de que, apesar desses diferentes estilos de nossas músicas, todas têm a ‘cara’ da banda e soam como parte de um mesmo conjunto.

2. Vocês já gravaram 40 canções, quantos álbuns já foram lançados?

(risos) Essa é uma questão complexa. Até hoje, já organizamos a venda de 3 diferentes álbuns em lojas e shows: o primeiro veio de uma gravação ao vivo de um show nosso em um festival, e era intitulado “Noisecraft Live at Kremlin (Olaria)”; o segundo foi gravado ao vivo em um estúdio e intitulado “Live and (Not) Clear”; e o terceiro foi gravado de  forma semi-profissional no home studio de um amigo (Gustavo Loureiro, que assinou a produção com a gente) e é intitulado simplesmente “Demo 2010”. Mas todos esses lançamentos são ‘demos’ na verdade e não álbuns de fato. Está em nossos planos entrar em estúdio em 2011 pra gravarmos algumas músicas e podermos lançar um EP de excelente qualidade e, futuramente, um álbum completo.

3. A banda já está na estrada desde 2001. Como vocês se conheceram, como foram as mudanças de integrantes, as vitórias e as dificuldades para conseguir um lugar no circuito Rock N’ Roll carioca?

A banda iniciou sua vida com 5 integrantes e, atualmente, conta com 4 membros.  Já nos conhecíamos e tínhamos participado de outras bandas antes, mas a Noisecraft foi a primeira banda que conseguimos montar da forma que todos queríamos. Até por isso ela já tem todo esse tempo de vida: por ser uma banda da forma como nós idealizamos que uma banda deve ser! As saídas (e retorno) de integrantes sempre ocorreram de forma tranquila, pelo fato de vermos a banda como um grupo de amigos, acima de tudo. Quanto à conseguir um lugar no circuito carioca, não tem sido fácil… Pelo nosso estilo de música, raramente recebíamos convites para festivais e shows e sempre tivemos que correr atrás de oportunidades. Em alguns anos, acabamos fazendo apenas 3-4 apresentações, por essas dificuldades. Esse ano, tivemos muita sorte, recebendo diversos convites e acabamos quebrando nosso recorde anual de shows. (risos) Além disso, o prêmio que recebemos pela vitória no Ibeu Rock Festival em 2009, nos deu a base pra podermos correr com mais vontade atrás de shows e aceitarmos convites que antes seriam complicados. Assim, inclusive, conseguimos ir a São Paulo duas vezes esse ano fazer apresentações que vêm nos abrindo novas portas.

4. O IBEU Rock Festival 2009 foi uma das maiores vitórias do grupo. Conte-nos como chegaram lá e a sensação de ganhar o primeiro lugar?

Foi algo totalmente inesperado e que nos deixou muito felizes! Sempre tivemos confiança na qualidade do nosso som, mas por fazermos músicas de forma meio experimental e com letras em inglês, dificilmente conseguíamos grandes vitórias em festivais. No caso do Ibeu Rock Festival, houve uma combinação de fatores que nos ajudou: as músicas de todas as bandas teriam que ser em inglês (assim não ficamos deslocados) e a decisão da banda vitoriosa foi feita por um júri composto por pessoas de alto gabarito do meio musical (o que, acreditamos, nos ajudou a levar a vitória pela qualidade de nossas composições e arranjos, apesar da falta de um caráter explicitamente ‘pop’ no nosso trabalho). Mas admitimos que na hora do anúncio da vitória ficamos meio em choque e demoramos alguns minutos até nos movimentarmos pra subir no palco e receber o prêmio (risos).

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5. A sonoridade da banda é o punk e as peças épicas, certo? Então, quais são as maiores influências musicais de vocês e o que costumam ouvir em casa?

Influências? Bem, se formos citar tudo que os membros da banda gostam, vamos ficar com uma lista beeeeem longa aqui. (risos) É claro que nossa influência principal, aquilo que forma a base do som da Noisecraft são as grandes bandas alternativas de Seattle nos anos 90, como Pearl Jam, Alice in Chains, Soundgarden e Nirvana, ou seja, o movimento ‘Grunge’, além do Foo Fighters. Mas podemos citar como fortes influências também: The Offspring, Green Day, NOFX e Bad Religion (as responsáveis pela nossa veia Punk/Hardcore), Metallica, Iron Maiden, Pantera e Slayer (responsáveis pela nossa veia Metal), e Led Zeppelin e Pink Floyd (responsáveis pela nossa veia ‘épica).’  Por fim, escutamos várias outras bandas que acabam de alguma forma moldando nosso som: The Beatles, Deep Purple, AC/DC, Days of the New, Rage Against the Machine, Queens of the Stone Age, Muse, Stone Temple Pilots, Silverchair, Comes With The Fall, Korn, Rammstein etc. Como curiosidade, nosso baterista tocava na ‘Big Band’ do colégio na época de  estudante e nosso vocalista tem participado de bandas de Jazz e Blues, o que também influencia diretamente nossas composições.

6. A música Red Scottish Lake (vencedora da enquente da Rádio Rock Zone em Outubro) é cantada em inglês. Todas as canções são assim? E qual é o tema das letras que são compostas?

Sim, todas as nossas músicas que têm letra (já que algumas são instrumentais) são cantadas em inglês. Isso foi uma escolha nossa desde o começo da banda. Chegamos a testar letras em português, mas achamos que nosso estilo soa melhor com letras em inglês, assim como, por exemplo, um samba fica muito melhor com letras em português. Quanto à temática das letras, há uma variação muito grande. Até porque todos os integrantes da banda compõem músicas e escrevem letras, então cada um escreve o que passa na cabeça na hora. Temos desde as tradicionais “letras de amor” até letras com críticas políticas, letras sobre questões e sentimentos pessoais e, mesmo, sobre teorias de Física. (risos)

7. Quais são os planos para 2011? E qual recado vocês deixariam para os fãs do RockZone e do som do Noisecraft?

Como dissemos antes, queremos gravar e lançar um EP em 2011. Além disso, queremos continuar nossa parceria com várias bandas amigas (como Riverdies e Álister, por exemplo) e tentar produzir eventos pra agitar a cena ‘underground’ carioca. Vamos tentar montar uma segunda edição do “Grunge in Rio”, um festival que realizamos no meio de 2010 só com bandas influenciadas pelo rock do início dos anos 90 e que foi um grande sucesso, além de uma experiência divertidíssima para todos. Para finalizar, queremos agradecer ao RockZone pela oportunidade e pela divulgação e a todos que votaram em nós. Ficamos impressionados pelo apoio que recebemos e pela animação da galera em nos ajudar a ganhar. E, aproveitamos pra pedir ao pessoal que compareça aos shows das bandas independentes cariocas e dê uma força à galera que se dedica de corpo e alma à música que ama. Tem muita coisa boa por aí e muito melhor do que aquilo com o que somos bombardeados diariamente pela mídia ‘mainstream’! É só prestar atenção e dar uma chance!

By Milena Calado

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