Entrevista com a GAMETAS

1- Fale para gente como vocês se conheceram, conte-nos a história da banda.

Paradise: Conheço o Iuri Escabroso desde que nasceu, o Diego Drugue desde criancinha e o Rafael Bralha eu conheci faz uns dois anos através do nosso amigo Marcelo Xha, da banda Xha de Folhas Experimentais. Os GAMETAS na verdade começaram em 2000 na lacuna deixada pela minha banda anterior – o Capitão Caverna – e teve uma carreira efêmera, com poucos shows e muitos ensaios, já que tenho esse estúdio em Guadalupe (subúrbio carioca) desde meados dos anos 90. Muitas das músicas que a gente toca hoje faziam parte do repertório original da banda, que durou até a metade de 2007. No começo de 2009 eu comecei a gravar algo que seria uma espécie de disco solo com a colaboração do Escabroso e do Drugue. Acabei recorrendo à várias músicas dos GAMETAS e voltar com a banda era algo natural agora. Foi o que acabou acontecendo e estreamos a nova formação em Agosto de 2008, oito anos após o primeiro show da banda original. 

2- A idéia inicial da banda era mesmo fazer músicas nada convencionais, inusitadas, ou seja, fora dos padrões?

Paradise: Nos anos oitenta não tinha padrão. Os Titãs tinham o seu som, os Paralamas o deles, o Barão idem, a Legião outro totalmente diferente. Essa coisa de padrão foi feita pra facilitar a vida de quem não tem talento pra escrever canções. Ninguém diz mais nada de interessante nem propõe construções rítmicas e melódicas menos convencionais porque tem que soar como a mídia quer. Antigamente a indústria ia atrás da arte. Hoje a “arte” corre atrás da indústria. Subverteram a ordem das coisas e isso é mau.

3- Vocês participaram da enquete do site Rockzone no mês de Junho. A música se chama “Ela fala com espíritos”. Vocês se inspiraram em que para compor tal tema?

Paradise: Essa música é de 1998! Me lembro que eu queria fazer algo oitentista tipo “Talkin’ In Your Sleep” dos Romantics com uma letra fantasmagórica a la “Ghostbusters” ou “Thriller”, o que também era meio moda na época. Enfim, eu queria captar esse clima. 

4- Gostaram de participar da enquete?

Bralha – Sim, claro, qualquer tipo de divulgação é bem vinda e o público do site faz parte do planeta que

queremos conquistar.

5- Vocês já têm quantos discos gravados?

Bralha – Esse é o nosso primeiro disco, antes disso estava em circulação uma demo de 12 músicas chamada “Sessões de Tortura Extrema” que foi citada acima pelo Paradise. Já estamos pensando no segundo, algumas músicas novas já fazem parte dos shows e talvez ano que vem role.

6- Por quê o nome Gametas? Bem inusitado e interessante?

Bralha – No início o nome da banda era Paradise & Os Gametas, algo próximo de Bill Halley & His Commets. Depois ficou só Gametas porque somos células sexuais altamente ativas, e ainda por cima GAMados em b(…)ETAS.

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7- Eu li que as portas do circuito underground só se abriram depois que vocês fizeram um show de abertura para a banda Detonautas. Como vocês conseguiram esse contato para abrir uma apresentação deles?

Paradise: Nem foi. Esse show de abertura dos Dets foi no começo do ano passado e o Bralha tinha acabado de entrar pra banda. Depois disso muita água rolou por debaixo da ponte. As portas (a tampa da panela?) do underground nunca se abriram para nós. A gente mete o pé e entra sem bater mesmo. Quanto ao contato para abrir o show foi fácil, o Fabio Brasil nos convidou. Ele é meu amigo há muitos anos e foi graças à ele que gravamos nosso disco. Ele não só produziu o CD em seu estúdio Mobilia Space como também gravou as trilhas de bateria, já que não tínhamos um baterista na época. Ele também é ex-integrante dos GAMETAS, tendo saído em 2002 para se dedicar aos Detonautas que estouraram nessa época.

8- Hoje em dia ainda é difícil ter um espaço mesmo que no circuito underground? E as bandas de rock independentes ainda têm dificuldades em mostrar os trabalhos para o público?

Bralha – Falar em circuito underground é completamente utópico. É inexistente. As bandas correm atrás por si mesmas, e é assim que deve ser. Existem formas do seu som chegar ao público e criar a demanda pra sair tocando por aí. Paciência, trabalho e persistência… O negócio hoje é procurar soluções por si mesmo e não ficar pensando em “cena”, “coletivo”, porque isso é tudo papo pra boi dormir, muitos trabalhando em prol de poucos.

9- Vocês só vivem de música ou tem/fazem trabalhos paralelos?

Bralha – Todos trabalhamos, alguns com música outros não. Mas nos dedicamos a banda em tempo quase integral, estamos o dia inteiro conectados e ligados nos assuntos, apesar de ainda termos que ganhar a vida de outras maneiras, as vezes até meio sórdidas. (rs)

10- Quais são as bandas de rock que vocês gostam e qual delas influencia no som da banda?

Bralha – Kiss, Ramones, Misfits, Cramps, Guns n Roses… Além do som, a performance e o visual, eles causaram um grande impacto em todos nós e isso naturalmente acaba refletindo no que fazemos.

É isso aí… Agradecemos à banda Gametas pela entrevista e torcemos para que continuem por muito tempo alavancando o rock do Brasil e que continuem a compôr letras irreverentes, inteligentes e muito criativas. Nós, da equipe RockZone, desejamos uma excelente carreira e que muitos bons frutos ainda possam ser colhidos dela!! Abraços!

By Milena Calado

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