Entrevista com a ALLMADDA

1. Conte um pouco de como foi à idéia de formar uma banda e desde quando vocês já estão na luta?

Allmadda: A idéia de montar uma banda veio no final de 1997. Eu tinha dezenove anos e já dava aulas de guitarra. Várias coisas me impulsionaram a montar esse projeto. Desde que eu comecei a dar aulas, no início de ‘96, meus alunos sempre me perguntavam se eu tinha banda ou porque não montava uma. Eu simplesmente não pensava nisso. Com o tempo uma curiosidade crescente foi me tomando e no segundo semestre de ‘97 eu vi uma apresentação de um grupo de jazz no colégio, onde eu estudava e isso me deu mais um impulso de montar uma banda, a princípio pra tocar lá mesmo.

No início era mais uma idéia de garoto. Eu já estava no terceiro ano e queria fechar o ano tocando pr’os amigos dando um show de heavy metal e etc. Eu montei um repertório só de covers por que eu não tinha musica própria e na época chamei uns amigos que eu conhecia pra tocar e dei o primeiro nome da banda na época: “Haze In The Wind”. Mais tarde a banda mudaria seu nome para “Allmadda”.

O evento acabou nem rolando, não deu pra montar a banda direito. O colégio não tinha “P.A” e etc, mas ficou a vontade de tocar e a idéia de ter uma banda de Heavy Metal.

2. Quais são as influências musicais de vocês e qual delas é a mais inspiradora para a banda?

Allmadda: É complicado pra mim essa onda de influência inspiradora. Inspiração é algo muito relativo. Eu prefiro acreditar no exemplo que uma banda pode dar de como se faz um trabalho bem feito. Esse sim é o testamento, que é uma grande influência pra mim e pro meu jeito de tocar e solar, pois gosto muito do Alex Skolnick como guitarrista.

Nosso baixista (Cesar Colpas) veio da praia do jazz e do rock progressivo. O que ele menos ouve é heavy metal. Inclusive, ele curte coisas como King Crimson, Jaco Pastorius, Focus, Pink Floyd. Som de maconheiro enfim…

Nosso baterista (Gabriel Djong) gosta de porradaria, literalmente falando. Principalmente, thrash metal e bandas como Slayer, Testament, Fear Factory (banda a qual também gosto muito). Metallica, Motorhead e o Dream Theater. O Gabriel ouve muito o último cd do Testament (The Formation Of Damnation) e é novo na banda. Nosso membro mais recente.

Nosso segundo guitarrista (Igor Meira) veio muito influenciado pela onda do Heavy Metal tradicional setentista e oitentista, principalmente por causa do pai, que é roqueiro desde menino também. Ele vem pegando desde bandas como Led zepellin e Black Sabbath, até Iron Maiden e Metallica. Ele também curte bandas como Nevermore e Symphony – X (o que aliás a banda toda gosta).

Nosso vocalista (Luiz Felipe Netto) gosta de música num contexto geral. Ouve desde nu metal e grunge até thrash e death metal passando por bandas como Mastodon, Pearl Jam, Candlemass e etc.

Eu, Rodrigo Almada (guitarrista base e solo) curto muito bandas como o Testament, Symphony X, Pantera, Megadeth, Metallica e Pink Floyd, que foram os trabalhos que influenciaram em muito na formatação do nosso som.

Nosso tecladista (Tomas Gonzaga ) tem uma grande influência da música clássica. Ele se mira muito no trabalho do Debussy e do Penderecki pra compor, além de gostar muito do Jordan Judess como tecladista.

3. Pelo o que li no Myspace de vocês o estilo da banda é Trash e Progressivo. É uma combinação bem diferente, de quem foi à idéia de fazer tal fusão?

Allmadda: A idéia foi minha. O que acontece na verdade (vou explicar mais detalhadamente qual era a minha intenção ao fazer isso). Eu sempre curti demais os dois estilos e tinha a minha visão de como deveria funcionar cada um dos estilos, de acordo com o meu ponto de vista, claro. A intenção era fazer um trabalho de podagem usando um estilo como base pro outro. Por exemplo: é fato que o progressivo conta com diversos exageros de tempos e solos e vários excessos. Coisas que, em minha opinião, eram desnecessárias. Por outro lado, eu já curtia muito o Thrash Metal do Metallica na fase Ride The Lightning/Master Of Puppets/And Justice For All, exatamente pela influência progressiva que ele tinha, ao mesmo tempo em que eu nunca gostei do Thrash Metal “tosqueira” do “Kill’Em All” (que pra muita gente é Speed Metal! Que seja! O que importa é que, querendo ou não, o Thrash Metal, em grande parte, veio dali) pelo fato de muitas vezes um estilo ser o oposto do outro, eu percebi que era possível usar um, pra aperfeiçoar o outro, no sentido de eliminar os exageros do progressivo e ao mesmo tempo eliminar as tosqueiras do Thrash Metal inicial, variando mais as batidas e dando um swing novo pro estilo.

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Em cima disso tudo veio a idéia de compor em cima da escala menor harmônica, o que deu a essência por completo de todo o estilo formado pela banda, o swing dos riffs e a sonoridade exótica, por vezes oriental (egípcia talvez ) por vezes meio árabe ou cigana (espanhola talvez) vieram nitidamente da escala menor harmônica.

4. Com o avanço da internet e suas novas ferramentas online como: Twitter, Myspace, Youtube, download gratuito entre outros, vocês acham que isso foi bom ou ruím para a indústria da música?

Allmadda: Na minha opinião, têm os prós e contras: eu acredito que a gente está numa fase de intercessão entre uma era e a outra. Quando se fala de música e de indústria fonográfica é fato público e notório que a mega indústria musical já abriu falência há muito tempo, graças a pirataria. É fato também, que graças à mesma, é possível uma banda se tornar conhecida no mundo todo sem tanto esforço, sem gravadora e sem ter que pagar altos jabás para as rádios. E é fato também que, hoje em dia, todo mundo sabe disso, que havia uma máfia que obrigava o músico praticamente pagar pra fazer sucesso, e investir em altas quantias que às vezes chegavam a vinte mil reais e muito mais até, pra poder tocar numa rádio e divulgar seu trabalho. Essa máfia também ruiu, graças à pirataria, da mesma forma. Por isso eu acredito nessa intercessão.

Explicando melhor: muita coisa ainda está mudando e ainda vai mudar. Eu acredito num tempo em que o músico vai finalmente produzir e lançar seu próprio trabalho, no qual finalmente teremos a autonomia que nós merecemos pra sermos capazes de produzir e personalizar nossos próprios trabalhos e aí sim, verdadeiramente, nós poderemos assinar nossos trabalhos de maneira pura e sincera.

5. Vocês têm cds gravados, músicas autorais ou o trabalho da banda é apenas com covers?

Allmadda: A gente se encontra agora na fase final de mixagem e entrando na masterização do nosso primeiro cd: “The Majestic Sound Of The Storm”. Ele encontra-se ao todo com dez faixas (uma introdução e nove músicas) e terá em torno de quarenta e cinco minutos. Nós tocamos covers (claro) além do gosto pessoal, pois tocar covers é uma coisa que nós adoramos. Com apenas quarenta e cinco minutos de cd, ainda não dá pra dar um show sem tocar covers.

6. Pelo que assisti em alguns vídeos vocês têm dois vocalistas, é isso mesmo? E por que dois?

Allmadda: Nossas próprias músicas têm muitas posições de voz e jogadas de vocal duplo mesmo. Harmonizações, oitavas e etc. Quando uma voz está terminando, a outra está começando, e isso nos obrigou, inevitavelmente, a procurar duas pessoas pra cantar.

7. Quais são os planos da banda para 2011, além de fazer shows?

Allmadda: Particularmente, eu não curto essa onda de pré-determinar o tempo. Por ano, por exemplo, eu vejo o futuro, independente do tempo. Nossos próximos planos agora são acabar esse cd de vez (o que vai ser esse ano, com certeza) e começar a tocar fora do rio. Temos alguns contatos já, e pra isso a gente tem uma apresentação no Jone Brabo Show (TVC da net/canal seis e blogasuatv.com)o que garantiu a nossa entrada na TV. Eu pretendo e gostaria muito de explorar essa área também. Fora isso, o que a gente mais pretende é arrumar uma distribuidora pra poder distribuir nossa produção pro mundo e mostrar o que a gente é capaz de fazer pelo Metal, num contexto geral.

8. Muito obrigada pela entrevista e se vocês quiserem podem deixar um recado para os leitores do Rock Zone.

Allmadda: Queria agradecer demais pela oportunidade que nos foi cedida de mandar a nossa mensagem por aqui. É muito importante pra gente e principalmente pra mim (Rodrigo Almada), poder passar nossa ideologia e nossa mensagem através dessa entrevista, chance a qual eu venho aguardando a anos de poder expor nossa visão e de abrir os olhos das pessoas para o potencial do Heavy Metal como música. Muita gente insiste em ver o Metal em meio as trevas, e eu insisto em ver o Metal brilhar com toda a luz que ele é capaz de emanar.

By Milena Calado

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