Discos e CD’s, qual o impacto deles no interesse da galera que curte rock hoje?

Lembro até hoje quando meu pai me deu um CD do Queen, Made in Heaven, quase junto do Angels Cry, do Angra. A sensação foi maravilhosa. Nos anos 90, ir até a Galeria do Rock para comprar um CD, era quase um evento para mim e para a grande maioria dos headbangers da época.

Ver o encarte, os detalhes, os catálogos com as novidades do momento. Ficava horas entrando e saindo das lojas da Galeria.

Uma vez eu estava em um show, acho que era o show do Dio, da Turnê Mágica e vi o anúncio no telão, antes de começar o show, do novo disco do Avantasia, do vocalista do Edguy, Tobias Sammet.

O impacto que uma propaganda dessa tinha, em uma época em que a internet ainda não era nem 40% do que é hoje, era gigante! Aquilo virava uma espécie de algo a ser conquistado, a ser adquirido. Comprei obviamente o primeiro álbum do Avantasia.

Eu ainda gosto dos meus CDs e preciso tomar vergonha na cara, para poder comprar uma prateleira, afim de organizá-los com maior afinco. Hoje eles estão espalhados pela minha casa. E tenho algumas raridades aqui, como por exemplo, um Anthology da banda de hard rock norte-americana (nova-iorquina) White Lion. Mas sinto que com a música digital, o CD virou algo de saudosista.

E reflito, até que ponto isso pode ter um impacto em novos fãs de som pesado? Hoje, o jovem que ouve rock, coloca quase 1 Giga de músicas no celular em mp3 ou mp4 e sai ouvindo aleatoriamente. É impossível dar o mesmo valor à uma faixa, como dávamos nos anos 80 e 90.

Eu sempre tive o costume de abrir o CD, contemplar o conteúdo, encarte, fotos, essas coisas, até sentir o cheiro da tinta… E depois ouvir ele da primeira até a última faixa na ordem. Sim, era importante ouvir na ordem!!! Hoje pouca gente faz isso. E tenho para mim que isso é extremamente prejudicial para as bandas. Será que teremos uma espera de um álbum, como os fãs do Metallica por exemplo, tiveram quando o Black Album foi lançado nos Estados Unidos? Será que teremos o impacto do que foi um Use Your Illusion dos Guns N’ Roses, para os gunners daquela época? Acho que não.

A música está cada vez maior em número, menor em qualidade e menor em apreciação. Sim, apreciação é a palavra, nós apreciávamos mais cada álbum. Eu por exemplo, amo o Queen e tenho uns 8 ou 10 discos deles. Eles possuem 33 de carreira e eu pretendo colecionar. Agora pergunto, como ter esse conhecimento profundo da banda, se o CD perdeu essa importância? Ou mais além, o vinil, quem gosta de vinil, sabe o quão prazeroso era comprar um e colocar na vitrola para ouvir.

Os tempos são outros. O rock resistirá a essa nova época? Bandas como Radiohead, foram inovadoras em lançar seu álbum na internet de graça. O fã depositava um valor que achasse justo. Será que daqui há 10 anos, ainda teremos bandas consideradas megabandas? Ou viveremos sempre enaltecendo o passado? Uma banda como a Greta Van Fleet, se tornará no futuro o que foi um Led Zeppelin nos anos 70? Ou uma banda como os Stones, também acho difícil, mas como o rock sempre se reinventa, algo pode nos surpreender e eu espero que eu seja surpreendido.

E o que dizer do Iron Maiden? teremos um super grupo que canta heavy metal lotando estádios em 2030, 2040? Só o tempo dirá. O futuro é muito incerto. Hoje, converso com as pessoas e eles falam, nossa, você conhece muito de rock, mas isso se deve a ler revistas, ouvir álbuns inteiros, como ter todo esse conhecimento, ouvindo músicas de maneira aleatória no smartphone?

Por outro lado, temos acesso a muito mais bandas, o You Tube é um grande aliado. Mas o valor, será que damos o mesmo valor que dávamos anos atrás a um novo clipe, um novo álbum ou o anúncio de uma nova turnê? E vocês? O que acham dos CDs e Vinis e como consomem música hoje em dia?

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