DIA DO ROCK – Rock In Rio, RJ (02/10/2011)

Uma grande festa merece um grande encerramento. E assim foi feito no último dia do Rock in Rio 2011. O line-up do Palco Mundo foi, com exceção do dia 25, o único dia realmente dedicado a atrações de rock, que foram bem escolhidas, mesmo com uma reclamação aqui e outra ali. O início da festa de despedida começou no palco Sunset com o sempre inusitado Tom Zé, que chegou com meia calça na cabeça, terno branco e uma faixa de presidente da república no peito.

Quem também soltou a voz no palco secundário foram os Titãs. Com a mesma desenvoltura de sempre, o grupo comandou a platéia com sucessos como “Polícia” e algumas recentes baladas dos últimos anos. Outro destaque do festival foi Marcelo Camelo, que cantou canções de sua carreira solo, mas ele realmente empolgou com músicas da época de Los Hermanos, como “Além do que se vê” e “Morena”. Mesmo optando pela carreira solo, Camelo ouviu (e acho que sempre ouvirá) os gritos de “Uh! Los Hermanos!”.

Enquanto isso, o aperto já era grande em frente ao palco principal, onde as milhares de pessoas aguardavam com ansiedade ao show do System of a Down, que só iria tocar horas e horas depois. Para abrir os trabalhos da  noite, o Detonautas colocou todo mundo para pular e agitou muito a Cidade do Rock, com hits como “Quando o Sol se For” e “Olhos Certos. Um dos momentos mais marcantes do show foi quando Tico Santa Cruz (com uma forte presença de palco) pediu que todos mexessem os braços, ao som de Raul Seixas.

Logo depois, veio Pitty, que tocou em sua maioria músicas do novo DVD “A Trupe Delirante no Circo Voador”. O público gostou do que viu, mas pareceu menos empolgado com a cantora do que com o show que tinham acabado de assistir. Mesmo assim, todo mundo cantou “Na sua Estante”, “Memórias”, “Me Adora”, entre outras. Pitty, como sempre, estava empolgada, mas seus shows parecem funcionar melhor em locais menores, onde o público pode sentir de verdade toda a energia das músicas.

Pouco antes das 22h, o Evanescence subiu ao palco, abrindo o show com o single “What you want”. Amy Lee (única integrante desde a formação original) mostrou que o grande tempo que passou em estúdio gravando o novo álbum não a enferrujou. Sincronia perfeita entre o seu vocal e o restante da banda, cujo (curto) set list preferenciou a divulgação do auto-entitulado novo álbum, com lançamento agora para Outubro de 2011. Destaco “Made of stone”, “Change” & “The other side”.

O que acabou atrapalhando um pouco a festa, pois a imensa parte do público só se empolgou mesmo com os clássicos como, “Going under” e “Call me when you’re sober”. Destaque também para o público na Cidade do Rock, cantando “My imortal” e o encerramento “Bring me to life” – onde o púlbico masculino substituiu o ex-guitarrista John LeCompt no refrão. Pronto. Agora sim, faltava pouco para o possível show mais aguardado do festival, o do System of a down!

A missão era simples, superar o show do Slipknot, até então, o considerado por muitos como o melhor do Rock in Rio 2011. Passava das 23h já quando Daron Malakian começou com sua guitarra, sendo seguido

pelo peso do vocal de Serj Tankian (totalmente excêntrico ontem no palco, alternando o set com mini-discursos pró-meio ambiente e o futuro do planeta). Diferente do Evanescence, o SOAD fez um set mais longo e preferenciando os grandes sucessos da carreira da banda, empolgando o gigantesco público do Palco Mundo.

A banda abriu o show com “Prison song” e, logo na segunda música, soltaram o hit “B.Y.O.B.”, para delírio da platéia que assistia esmagada nas primeiras fileiras, sob uma (ainda) leve garoa. “Question”, “Chop suey”, “Lonely Day” “Aerials”, “Toxicity”, dentre outras, também entraram nessa noite no seleto grupo de memoráveis apresentações na história do Rock in Rio, numa sequência que mal dava espaço para pausas entre as músicas. Nada mal para uma banda que estava separada desde 2006.

Já passava da 1h da manhã quando logo após o término do show grande parte do público, expressamente ali para ver a apresentação que acabara, se demandou para a saída da Cidade do Rock, dando adeus à edição 2011 do evento. Logo em seguida, a chuva, que duraria a madrugada inteira, engrossou. Porque Rock in Rio que se preze tem que ter chuva e lamaçal, né!? Estava montado o cenário para a espera do último show do festival: o Guns N’ Roses, de Axl Rose e seu trupe (fora o vocal, o tecladista Dizzy Reed é o único remanescente da formação clássica da banda).

Às 2h40min começou o show de imagens e pirotecnia que duraria pelas próximas 2 horas, começando pela faixa título do último álbum lançado, “Chinese Democracy”. Foi a deixa para o público, notadamente formado pelos fãs mais fíéis da banda, aclamassem um dos fihos mais polêmicos do festival. Apesar do tempo não ter sido generoso com Axl Rose, o egocêntrico showman sabe lidar com seu público mais cativo, que respondeu à altura, sendo um show à parte quando os clássicos da banda (alternando entre músicas do “Chinese…” e apresentações solo dos demais integrantes) ecoaram nessa fria e chuvosa última noite do Rock in Rio. Principal destaque para este fã que vos escreve foi a performance de “Estranged”, épico que não era apresentado ao vivo há quase 20 anos, foi quando então todo o perregue de compra do ingresso, chuva, atraso do show, e volta para a casa valeram a pena. Nos vemos em 2013, Rock in Rio!

Texto: Rodrigo Miguez & Victor Vieira
Fotos: Getty Image

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