DEAD FISH – Circo Voador, RJ (25/03/2010)

Rockzone estava presente em um dos – na minha opinião – melhores shows do Dead Fish – uma também das mais reconhecidas bandas mainstream – no Rio de Janeiro. Todos pareciam muito bem humorados e empolgados, antes mesmo do show começar. A noite era especial pois seria o lançamento do ‘split’ em vinil limitado (anunciado no dia 3 do mesmo mês) do Mukeka Di Rato + Dead Fish, que já se encontrava à venda quando chegamos. A banda paulista Gigante Animal inaugurou o palco nessa sexta no Circo Voador, mas infelizmente não trouxe bons resultados vindos da platéia. Vi pouca gente e ninguém animava direito com o som, mas os caras não desanimaram, ao contrário, pareciam felizes de tocar ali independente do resultado. De início, até passou pela minha cabeça que esse show do Dead Fish não iria lotar como o último, no mesmo lugar, mas foi só os staffs darem início à arrumação do palco, que já se podia escutar de longe a costumeira saudação dos fãs para a banda: “Ei Dead Fish, vai tomar no cu!” Longe de ser uma ofensa tanto dos fãs quanto para a banda que depois de uns 10 minutos, entrava. “Muito obrigado, muito obrigado pelo carinho de sempre.” brincou Rodrigo, vocalista da banda. Em menos de 1 minuto o Circo Voador estava cheio, e a cada minuto parecia surgir mais gente.

O repertório começou como um soco no estômago com a música “Tão Iguais”, um protesto cru e indiretamente pesado. Logo, moshs brutos estavam formados, fãs subiam ao palco, pessoas se declaravam no ouvido do Rodrigo e cantavam junto com ele. Essa quase invasão, fazia com que os seguranças do local reagissem rapidamente, e como resposta, o vocalista dava um tapinha nas costas de cada um deles, chegando a falar em um momento: “Os seguranças são nossos amigos gente, não se irritem. Eles estão aqui para nos proteger” com seu tom irônico de sempre, as vezes até natural. Passando por “Autonomia,” “Subprodutos”, “Asfalto” e “Shark Attack” (essa última resultando num mosh incrivelmente extenso, por solicitação do próprio Rodrigo: “abre a roda, abre mais!”), o meio do show foi marcado pelos sons mais antigos e mais crús como “Não”, “Mulheres Negras” “Sonho Médio” , passando depois para os mais populares do álbum Zero e Um, marcado pelas músicas “Zero e um” , “Queda Livre” e “Bem-vindo ao clube”. E o Rodrigo não parava. Uma das melhores presenças de palco que eu já vi na minha vida. O cara é energia pura e nesse dia em particular, ele estava demais. Pulava muito, inventava dancinhas, corria pelo palco, batia cabeça, interagia fielmente com os fãs. Eu não vi sequer uma vacilada nessa apresentação, seja da produção, dos caras ou dos próprios fãs.

A empolgação e a empatia que rolaram entre o público e a banda, foram os principais fatores que fizeram dessa apresentação, a melhor. Com uma música praticamente emendada na outra (a banda fez no máximo, somente umas três breves pausas), o público ia ao delírio. O Rodrigo avisou: “E aí, vocês já cansaram aí? Porque vai rolar todas hein!”  Realmente. Além de ser a melhor apresentação que eu vi do Dead Fish, foi principalmente a mais completa. Não faltou sequer uma música que os fãs desejaram e eu não estou exagerando. Rolaram todas mesmo. O repertório foi farto, duradouro (e muito!), e pegava desde as mais velhas e clássicas até as mais recentes e popularizadas. Foi incrível! Um dos momentos mais marcantes do show, foi a presença de uma fã ao palco, a qual o próprio Rodrigo ofereceu o microfone. Ao começar a cantar, Rodrigo se afastou e deixou a menina continuar e brincou: “Caraca, vai rolar um split aqui hein galera. Ferrou pra mim, vou sair da banda.” Depois disso, pediu pra banda continuar pois seria a vez dela de improvisar uma letra. E a menina mandou bem! Logo, o próprio Rodrigo ocupou o microfone de Alyand e assumiu backing vocal enquanto a fã continuava a dar um show ao lado dos ídolos. Isso tudo em um clima descontraído de irmandade, como se todos ali fizessem parte de um círculo de amigos íntimos.

Na hora do finalzinho do show, Rodrigo parecia não querer encerrar a apresentação. Quando chegou a vez de “Contra Todos” ele dizia que “Dessa vez é a última mesmo.”, mas levou o povo ao auge quando dedicou a – agora realmente última música – “Venceremos” a todas as bandas independentes cariocas. “Agora… Zander, Confronto, e todas as bandas independentes naturais do Rio de Janeiro… Venceremos!” e até o último momento da música, ninguém parecia estar insatisfeito, tampouco cansado ou desanimado (isso inclui a própria banda!). A noite foi longa para os fãs de Dead Fish e para a própria banda que do início ao fim, mostrou uma energia positiva do caramba e dedicação à paixão dos fãs presentes. Resumindo, foi espetacular. Produção perfeita, som perfeito (o ênfase de sempre no baixo e na bateria sem falha alguma), show marcante para mim, para outros e para eles, com certeza.

Texto por: Morgana (synthemesca)
Fotos por: Rodrigo Miguez
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