BUSH – The Sea of Memories, 2011

The Sea of Memories é o quinto álbum de estúdio do Bush, lançado em Setembro último, depois de dez anos sem material novo, substituindo o antecessor Golden State (2001), e o primeiro a ser gravado com Chris Traynor e Corey Britz, substituindo Nigel Pulsford e Dave Parsons, na guitarra e baixo respectivamente. O álbum foi lançado de forma independente, por selo administrado pela banda, Zuma Rock Records, em parceria com a eOne Music, depois de quatro discos sob contrato com a Interscope Records. A produção ficou por conta de Bob Rock, que já trabalhou com Aerosmith, Metallica, Mötley Crüe, dentre outros.

À primeira audição, é um álbum que soa bem pop (para não dizer “totalmente”), diferente dos tempos grungeiros da banda. “Ao fazer música, você tem a opção de repetir aquilo que já fez, ou seguir em frente. Seria seguro simplesmente retrabalhar (a sonoridade de) ‘Sixteen Stone’ de novo e de novo, mas que tipo de vida isso seria? (…) Eu gosto da ideia de mudar, desenvolver-se, transformar-se”, declarou Gavin Rossdale (vocal), sobre essas visíveis mudanças na sonoridade do Bush. Mas com as próximas audições, The Sea of Memories, como álbum de rock n’ roll, vai valendo a pena.

A abertura “The mirror of the signs” é o primeiro exemplo disso, faixa bastante válida, em desacordo a essas mudanças das declarações do Gavin, e puxando p lado do grunge. Introdução com riflis & batidas na medida certa. Domínio legal de vocal, e um refrão que não chega a ser explosivo, mas não compromete. Já destaco como uma das minhas favoritas. Mas o mesmo não consigo dizer de “The sound of winter” (já com vídeo-clipe lançado), muito mais-do-mesmo, apesar de pesada e animadora também (Solinho de guitarra maneiro também, esse do Chris). O peso volta em “All my life”, mantém o nível de “The mirror…”. Introdução, Gavin no comando durante as estrofes & um refrão onde dá p perceber que a banda COMEÇA a se soltar. Refrão válido, por sinal. Dentro das limitações do álbum (friso, não é um álbum pesado), essa daqui tentou. Outra que eu destaco como favorita!

Já “The afterlife” (primeiro single lançado, ainda em 2010) para mim foi outra derrapada. Não que a música não seja boa, mas nem de longe lembra Bush (na boa, só consegui identificar o Gavin no vocal lá para o meio da faixa, no refrão parece que não é ele). Bom, mas tem um entrosamento maneiro. “All night doctors” é a primeira balada do álbum. Piano, voz (principal e segunda voz) e guitarra, apenas. Linda canção. “Baby come home” e “Red light” são outras que mantém as características do The Sea of Memories: faixas pesadas, porém medianas, sem grandes evoluções, sobretudo nos refrões, que tentam ‘explodir’, mas mantém um certo nível (mediano).

“She’s a stallion” começa com a melhor introdução do álbum, rifllis, baixo, bateria, tudo em harmonia. Mas é outra que deixa a desejar, porque simplesmente não explode, mantém um nível abaixo do aceitável para “banda grunge”. Tenta, mas não consegue, apesar da excelente instrumentalização. “I believe in you” não me soou legal também. Quase um pop-rock. Desnecessária. E o refrão é chiclete, rs! Mas é outra que também dá para salvar a instrumentalização.

“Stand up” não chega a comprometer. Mas é aquilo, o mesmo ‘porém’ das anteriores, sem evolução, não acrescenta muito. Mas nem tudo foi perdido! Quando os acordes de “The heart of the matter” começam, já numa introdução explosiva, o único pensamento que vem a minha cabeça é ‘Finalmente, isso sim é Bush!’. Sombria, pesada, excelente vocal de Gavin Rossdale, harmonia perfeita entre letra e melodia… GRUNGE! De longe, a melhor faixa do The Sea of Memories. O encerramento fica por conta da segunda balada, um pouco mais híbrida que a anterior (ligeiramente), “Be still my love”. O refrão é um pouco chiclete, perto do final (rs!)

No gerla, gostei do vocal de Gavin Rossdale (por sinal, um dos meus vocalistas favoritos na adolescência), não vi muita diferença para os álbuns anteriores. Chris Traynor também se mostrou uma escolha merecida para a guitarra, mandou muito bem nos solos. A banda segue em turnê americana de divulgação do The Sea of Memories.

Autor: Victor “Montanha” Vieira

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