Banda ‘Esfera do Ser’ grava videoclipe em projeto de Rock para Surdos

4 de Março de 2020

A banda de rock Esfera do Ser lançou um projeto inédito de inclusão social em Divinópolis. Com apoio do grupo de intérpretes Sinalize, composto por três profissionais de interpretação de libras, além de uma produtora audiovisual e um produtor musical, foi possível gravar um álbum com 13 faixas, além de um clipe para surdos.

Ailton Costa é o idealizador do projeto. Ele, junto ao produtor musical Ruan Mattos, defendem que todo ser humano é um ser musical, pois a apreciação de ritmos e melodias é inerente à essência humana, e aqueles que não têm a capacidade de escutar podem sentir a música por meio de vibrações, porque percebem a melodia e harmonia por meio do corpo, principalmente nos pés e no abdômen.

“A vibração do grave é o que faz os surdos sentirem a música. A gente sente também, mas como a gente escuta, o fato de escutar te desliga da vibração. A partir disso, dentro do projeto a gente explorou baste os instrumentos graves”, explicou Ruan.

Segundo Ailton, a principal inspiração para gravar as músicas e o clipe foi o compositor Ludwig Van Beethoven, um músico alemão que perdeu a audição aos 48 anos, mas continuou compondo com o uso da memória musical.

“O Beethoven perdeu a audição e fez o grande clássico da vida dele surdo. Ele cortou os pés do piano e o colocou no chão para sentir a vibração. Assim, criou a maior música do século. Parece loucura fazer uma música para surdos, mas foi um aprendizado muito grande e percebi que é possível, pois o som é uma onda que vibra no ar, vibra os ossos e membranas dos ouvidos e essa vibração é decodificada pelo cérebro como sons. Quando a pessoa é surda, ela recebe essas mesmas vibrações”, explicou.

O produtor musical explica que a pessoa surda consegue sentir a música pela vibração das notas graves, presentes principalmente em instrumentos como bumbo, contrabaixo e a guitarra

Os intérpretes de libras, Mariluce Gomes dos Santos e Ross Diniz, também defendem a tese e completam que outros elementos podem auxiliar ainda mais na percepção da música pelos surdos.

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“Eles vão sentir essa vibração da música dependendo da intensidade do som e do instrumento que está sendo tocado. E eles vão perceber através da onda sonora que vão chegar para eles. O jogo de luz geralmente combina com o ritmo da música para que eles possam compreender o estilo de musical que está tocando naquele momento”, destacou Mariluce.

“Certamente foi uma honra fazer parte desse projeto inovador, que, sobretudo, contribui com a acessibilidade dos surdos com a cultura”, completou Ross.

O funcionário público Felipe de Oliveira, é surdo desde que nasceu. Ele ouviu a música “Sussurros ao som do silêncio” que faz parte das faixas produzidas dentro do projeto e com ajuda de uma intérprete ele disse ter ficado emocionado ao sentir a música.

“Ouvir mesmo não ouço, só sinto essa vibração, esses batimentos. É emocionante, eu consigo perceber, mas se for um som muito fino não consigo ouvir, mas se é uma vibração grave eu consigo perceber”, finalizou.
A produtora audiovisual Tatiana Fonseca reforçou que para o clipe foram usados estes recursos e, além deles, muitas sombras que combinam com o ritmo da música.

“Nós usamos alguns recursos como as sombras e tudo que passasse uma mensagem marcante e que conseguisse sentir a mensagem da música também pelo visual. É muito gratificante. Fiquei apaixonada. Uma música para surdos é muito lindo! Todo o projeto!”, concluiu a produtora. Clique AQUI para assistir a matéria.

FONTE: https://g1.globo.com/

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