ANGRA – Aqua, 2010

Enfim o aguardado retorno do Angra se concretiza em “Aqua” . Com a temática do album baseada no livro “A Tempestade” de William Shakespeare o disco marca a volta do baterista original Ricardo Confessori, e é praticamente um novo ínicio após os problemas empresarias que quase acabaram com a maior banda de metal melódico do país . A saída de Aquiles Priester foi benéfica em muitos pontos , e o retorno de Confessori agradou a muitos fãs mais antigos como eu.

Na sonoridade ele felizmente se afasta do tenebroso “Aurora Consurgens” e se aproxima aos primeiros albuns com Edu Falaschi nos vocais (Rebirth e Temple of Shadows) , ou seja a virtuosidade está alí mas não da forma arrogante e prepotente que “Aurora Consurgens” queria passar, o que parece que a crise que o grupo passou minou qualquer tipo de vaidades ( Que em muito era representada na figura de seu ex-baterista por mais que seu talento seja algo indiscutivel).

“Aqua” abre com a já introdução instrumental que apenas em “Fireworks” e “Aurora Consurgens” (Certamente os 2 discos mais problemáticos da história do Angra) não possuiram, que é “Viderunt Te Aquae” que am latim é algo com “As Águas Te Viram” que obviamente já caí na velocidade da luz de “Arising Thunder” que é aquele speed metal que tradicionalmente abre os albuns do Angra , e de certa forma tranquiliza o ouvinte . É o Angra que está sendo ouvido !

“Awake From Darkness” marca aquele metal mais quebrado com mudanças de andamento que vão da percussão legitimamente brasileira (Créditos de Ricardo Confessori) até a quebrada que caí num piano clássico ao fim da canção .

“Lease of Life” é candidatissíma a hit , podendo tocar até em FM’s de tão acessivel, mas sem deixar de ser o Angra , ela lembra em algo “Make Believe” guardadas as devidas proporções , e em “The Rage Of The Waters” um riff que remete sem dúvida a “Nothing To Say” mas na época do “Holy Land” Luís Mariutti não estava numa forma tão exuberante quanto Felipe Andreoli está , a sua velocidade e sua técnica o credenciam a ser sem dúvida um dos maiores e melhores baixistas do mundo .

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O disco que provavelmente será editado em vinil foi pensado desta maneira pois há dois lados bem distintos , o segundo marca um Angra talvez mais progressivo e se inicia em “Spirit Of The Air” e segue com “Hollow”,”A Monster In Her Eyes” sendo esta de maior destaque mostrando que os problemas vocais que atormentaram Edu Falaschi são parte do passado, e pelo menos em estúdio , ele mostra uma forma que fãs estavam saudosos já . Sem comparações exdruxulas , mas tanto André Matos quanto Edu Falaschi são exímios vocalistas cada um com sua técnica e com suas vantagens .

“Weakness of Men” é de novo o Angra que vemos desde o “Temple Of Shadows”, e “Ashes” mostra novamente a boa forma vocal de Edu Falaschi em uma quase balada piano e voz com a banda mandando ver no final .

Em suma, é um album de recomeço como foi com “Angels Cry”, “Rebirth”, assim também é “Aqua” , é um marco na carreira de quase 20 anos do Angra a capacidade de sempre manter-se no topo por mais que haja troca de integrantes ou albuns mais fracos, é algo de impressionante e que deve perdurar por mais 20 anos, sendo hoje , após o enfraquecimento do Sepultura, a maior banda de metal do Brasil !

Autor: Rafael Moura

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